

O cantor e compositor fluminense, Paulinho da Viola, além de melodias belíssimas, expressa em algumas de suas canções uma discussão bastante interessante sobre a capacidade/incapacidade do ser humano em nortear a sua vida.
Na canção "Timoneiro", o narrador aponta: "não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar". Podemos traduzir esta metafora associando o mar a vida e o timoneiro ao indivíduo. Desta forma, a letra indica que as contigências da vida(mar) que controla "o futuro" do indivíduo (timoneiro). Esta visão pessimista, onde o ser humano assiste atônito os caprichos do acaso, é conestada por outras canções do compositor. Em "Argumento" o compositor sugere: "Faça como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro, toca o barco devagar", ou seja, nesta canção é declarada a possibilidade do indivíduo (timoneiro) lidar com as adversidades da vida (nevoeiro) com cautela, agindo da maneira certa, nos momento e horas adequadas. Neste caso, o indíviduo, a partir de suas experiências e de seus conhecimentos, pode interferir na vida com responsabilidade e conciência.
Na canção "Prisma luminoso" o ponto de vista de "Argumento" é reafirmado: "Viver é tempestade e calmaria, sofrendo a gente aprende a navegar, um dia".´O sofrimento, neste caso, é marca das experiências passadas, idéia que indiretamente colabora com a visão do filosofo francês Jean Paul Sarte de que somos livres porque existe um mundo resistente a liberdade.
Por fim, na canção "Pra jogar no oceano" Paulinho da Viola,na figura de um eu-narrador,demosntra seus anseios: "Meu ideal se resume em ter o meu destino na palma da mão".
Interessante notar que nestas letras os conceitos de virtú e fortuna de Maquiavel estão diluídos. Isto não quer dizer que Paulinho da Viola leu e cita este filósofo nas suas canções, mas que, no mínimo, estes conceitos servem como arcabouço teórico para refletirmos sobre estas belas obras poético-musicais.
E você? Quer navegar no mar da vida, com conciência e autonomia, ou quer simplesmente deixar as aguas te levarem, a deriva, sem projeção de futuro, sem perspectivas?